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ComposiÇÃO DO OBJETO
ao se aproximar do objeto, o olhar o desconstrói e passa a fazer parte (quase um anexo dele) em sua distância
na hora de se despedir (a despedida nunca é igual), apenas se desprende do avanço feito para dentro da cerâmica isolada de atenção
o mesmo gesto então sugere (com a calma de um aroma) uma lenta e discursiva corrente de proximidade, como de fato ocorre pro desgaste e pressa
do choque que existe desta simples vontade em fazer parte do gesto que a desenha antes de sedimentá-la ou fazê-la desaparecer
parece buscar não a corrente de ar mas a espinha dorsal do gesto que retoma as mãos solitárias que podem lhe dar espaço
a forma imprecisa de uma matéria nova moldada com barro e água sem que os olhos precisem definir a mistura
• "Composição do Objeto" In Papéis de Parede- Funalfa/7 Letras, Juiz de Fora/Rio de Janeiro, 2004
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